A despedida de um ícone de Capão da Canoa - Hotel Bassani

Um ícone de Capão da Canoa está se despedindo, e vamos aproveitar para te contar um pouco sobre sua história e o que o futuro reserva para a cidade que praticamente cresceu em seu entorno.


O Hotel Bassani, localizado na Rua Moema / Av. Beira Mar em Capão da Canoa – RS fechou as portas e foi vendido em 2023, depois de 95 anos de árduo trabalho feito por gerações da família que empresta seu sobrenome para este ícone do litoral gaúcho. Em uma natural e esperada transação o empreendimento que ocupa todo o quarteirão em frente a uma das orlas mas disputadas e valorizadas do estado foi vendido para duas empresas do ramo imobiliário, ainda sem uma apresentação oficial do que será erguido no local podemos apenas especular, e provavelmente torres verticais com desenho arquitetônico moderno, muito luxo, apartamentos incríveis, infraestrutura de fazer inveja a muitos resorts e quem sabe até mesmo espaços comerciais.

Mas falando do Hotel, ele é um ícone não apenas de hoje, mas de uma época em que a cidade nem sequer existia, na verdade o Arroio da Pescaria que é o nome pelo qual esta região onde hoje se localiza Capão da Canoa era chamada, nasceu justamente pelos hotéis criados para atender os primeiros viajantes que precisavam deles para poder visitar e se manter no balneário.  Os primeiros empreendedores do século passado viram a oportunidade de negócios, já que o movimento de viajantes estava crescendo, tanto por fins terapêuticos e também de lazer as pessoas começavam a vir ao litoral, assim, estes verdadeiros heróis de nossa cidade investiram no ramo que criaria as bases do futuro município.


O Hotel foi inaugurado no longínquo ano de 1928, na Rua Moema, a beira mar do já citado Arroio da Pescaria, que nesta época era parte integrante da área territorial da cidade de Osório – RS. Os fundadores Luiz e Emilia Bassani iniciaram as atividades em uma estrutura de madeira e a partir da década de 50 realizaram a construção do hotel em alvenaria, com uma das últimas intervenções ocorrendo já na década de 70, contando ao todo com 118 quartos e uma piscina na parte interna o hotel é uma referência local e viu muita coisa acontecer ao longo das últimas 9 décadas, a emancipação da cidade, a criação, auge e a demolição do saudoso Baronda e da mesma forma participou de todas as edições do Garota Verão, tradicional concurso de beleza promovido pela RBS TV de 1983 até 2015. Segundo relatos, uma das partes favoritas dos hóspedes era o café da manhã de frente para o mar.

O antigo slogan “Verão em família” traduz muito do que o hotel representava para a sociedade, ao longo de quase 100 anos de história certamente fez parte de milhares de lindos momentos de felicidade em família e junto de amigos, de um tempo em que os verões eram diferentes, em que as pessoas demoravam dias, até semanas para chegarem na praia, época em que o tempo passava mais devagar e os veranistas ficavam meses aproveitando a natureza, não existiam grandes prédios no início, não existia quase nada, na verdade eram apenas dunas e capões de mato, algumas casas e muito vento, e assim muito do que o hotel oferecia era produzido na região ou vinha de forma lacustre, modal de transporte inexistente na região atualmente.

Aos poucos o pequeno balneário foi crescendo, se tornando relevante na sociedade gaúcha, começaram novas construções, mais e mais pessoas construíram suas casas de veraneio, vários outros hotéis foram erguidos e assim o pequeno distrito foi crescendo, o Hotel vivenciou o retrato de uma sociedade muito diferente dos dias atuais e talvez isso faça com que compreendamos o sentimento saudosista que nutrimos com sua despedida, é uma sensação de que de fato os tempos áureos ficaram para trás não é mesmo? Mas quem disse isso? Quem nos garante que o melhor não está por vir?

Vejamos, muitas vozes se levantam contra a venda do hotel e sua área com cerca 3200m² em uma das mais nobres regiões da cidade, muitos alegam que é a história que se perde, e por um lado estão corretos, mas se pensarmos bem talvez os donos das fazendas que aqui existiam também devem ter pensado assim quando viram as primeiras pessoas tomando o espaço a beira-mar, ao pesquisar mais da história, bem pertinho do Hotel Bassani, encontramos o edifício Xavantes que atualmente, junho de 2024, está interditado e em péssimo estado de conservação, certamente acabará vendido e demolido para construção de novos empreendimentos, e vamos ouvir coisas como “a ganância está acima de tudo”, o “progresso não pode vir a qualquer custo” e outras do gênero, mas quase ninguém sabe, ou lembra, que no local citado existia um hotel de madeira, o Hotel Bella Vista, este que foi demolido para a construção deste prédio de apartamentos, penso que na época também haviam vozes contrárias. O que quero dizer com isso é que o progresso é da natureza da humanidade, inexorável conduta do homem, que sem hipocrisia almeja sim o sucesso financeiro, mas que mal existe nisso? Afinal, os primeiros empreendedores da cidade, famosos em logradouros, nomes de edifícios públicos e privados não criaram tudo o que criaram se não fosse também, e friso o também, pelo interesse financeiro de seus empreendimentos.


Não sejamos portanto inocentes, o Hotel Bassani, assim como o Hotel Bella Vista, o Edifício Xavantes, o Baronda, o Hotel Rio-grandense e o famoso (antigamente) boliche e muitos outros representam sim parte de nossa memória, que deveria sim ser preservada, cuidada, valorizada e difundida de tal forma que as futuras gerações possam saber de onde vieram, mas que não sejam obstáculos ao crescimento, ao progresso. Concordo que a memória de Capão é relegada apenas aos livros de história, sem um museu que conte e mostre o que aqui já foi vivido, mas é esse progresso que faz com que a cidade seja hoje palco de um crescimento constante, que faz com que as pessoas queiram vir morar e veranear, que nos permitem ter uma qualidade de vida que se encontra em poucos lugares. Entrei num assunto espinhoso, ambíguo e que é deveras polêmico, mas não me desvio do cerne da questão mais relevante para concluir meu raciocínio, um ícone vai embora para quem sabe surgir outro em seu lugar, e quem sabe daqui a outros 96 anos nossos netos e bisnetos não estarão também lamentando a demolição do empreendimento que vai começar a ser erguido para a construção de outro empreendimento ainda melhor, mais moderno, eficiente e certamente muito mais sustentável.

Texto de Raphael Bernardes.

Fotos e informações gentilmente cedidas pelo Sr. Aidyl Perucchi;
Informações contidas no livro "Raízes de Capão da Canoa";
Conheça mais de Capão da Canoa de antigamente no Blog https://capaodacanoafotosnovaseantigas.blogspot.com/

--------------------------------------------------------------------------------------------------------

Em nosso site ibernardes.com.br 🌐 você encontra centenas de ofertas de imóveis sempre com as melhores condições de pagamento, sem contar o atendimento de excelência pelo qual a Imobiliária Bernardes é reconhecida.

Fique à vontade para enriquecer nosso Blog no campo dos comentários abaixo.

Gostou deste conteúdo? Então compartilhe com seus amigos e familiares.

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bairros de Capão da Canoa - RS | Desbravando Capão #02 | Bairro Centro

Bairros de Capão da Canoa - RS | Desbravando Capão #01 | Bairro Navegantes

Vem ai a Primeira Festa Junina de Capão da Canoa 🍿🌽🫔🔥🍷 - Data remarcada